Exclusivo: Maurício Maruca revela planos para SAF e projeta jogos do Santos em São Paulo

  • 15/09/2026
Na última eleição do Peixe, Marcelo Teixeira venceu com 4.762 votos, enquanto Maruca terminou na segunda colocação, com 1.378

O empresário e consultor financeiro Maurício Maruca, candidato à presidência do Santos, concedeu entrevista ao Bolavip Brasil e explicou alguns dos seus planos para o futuro do clube.

Maruca terá Rodrigo Marino como vice

Desta vez, o opositor da gestão de Marcelo Teixeira se uniu ao administrador Rodrigo Marino. Somados, eles obtiveram 2.451 votos no último pleito (1.378 votos de Maruca e 1.073 votos de Marino).

A reportagem também entrou em contato com Ivan Luduvice para que apresente aos torcedores do Peixe suas intenções, ideias e propostas. Nossa ideia é ouvir todos os candidatos.

Além disso, o portal entrevistou Wladimir Mattos, em conversa publicada na semana passada. Caso Teixeira confirme que disputará a reeleição, também daremos espaço ao atual presidente.

A segunda parte do bate-papo com Maurício Maruca estará disponível na quarta-feira (16).

Confira o primeiro trecho da entrevista:

Bolavip Brasil: A discussão sobre SAF ganhou ainda mais importância no Santos diante da atual situação financeira e das negociações envolvendo o futuro do futebol do clube. Qual é a sua posição sobre a transformação do Santos em SAF? O senhor acredita que esse é um caminho necessário, considera a possibilidade de um modelo com participação minoritária de investidores ou entende que o clube deve permanecer sob o controle associativo? E, em qualquer desses cenários, quais seriam as condições que considera inegociáveis para proteger o patrimônio, a identidade e os interesses do Santos?

Maurício Maruca: Sou absolutamente a favor da SAF. Mas ela precisa ser feita com critério, transparência e, principalmente, no momento correto. Na nossa gestão, a SAF será uma prioridade desde o primeiro dia. Vamos conduzir todo o processo para que a proposta esteja o mais rapidamente possível no Conselho Deliberativo, para apreciação e início da mudança do Estatuto, e, na sequência, seja submetida à votação dos sócios.

Nossa ideia é estruturar primeiro uma SAF 100% do Santos e, depois de cumpridas todas as aprovações necessárias, abrir uma concorrência internacional para escolher o melhor parceiro para o clube. O Santos precisa estar na posição de escolher o investidor, e não de ser escolhido por ele.

Esse processo terá critérios muito claros: capacidade financeira, reputação, experiência no esporte, qualidade de gestão, governança, investimento no futebol, geração de novas receitas e, principalmente, proteção da identidade e dos interesses do Santos. A SAF não pode ser um fim em si mesma. Ela precisa ser um instrumento para recuperar a capacidade de investimento, profissionalizar a gestão e colocar o clube novamente em uma trajetória de crescimento.

Bolavip Brasil: A formação de jogadores sempre foi uma das maiores forças do Santos, mas o clube também enfrenta críticas sobre captação, estrutura, transição para o profissional e, principalmente, sobre a necessidade de vender jovens jogadores para equilibrar as contas. Como o senhor pretende reorganizar as categorias de base para que elas voltem a ser um dos pilares esportivos e financeiros do clube? E como equilibraria a necessidade de gerar receitas com a venda de atletas com a necessidade de dar mais tempo para esses jogadores se desenvolverem no profissional?

Maurício Maruca: A base será uma das partes centrais do nosso projeto esportivo. O Santos precisa voltar a ter uma integração real entre formação e futebol profissional, com planejamento de desenvolvimento dos atletas, critérios claros para a transição e acompanhamento permanente de desempenho.

A formação de jogadores é, ao mesmo tempo, um ativo esportivo e econômico. Precisamos desenvolver melhor os atletas, dar mais oportunidades no profissional e, quando uma venda for necessária ou estratégica, fazê-la no momento e nas condições que sejam melhores para o Santos.

Bolavip Brasil: O Santos viveu nos últimos anos uma sequência de crises políticas, mudanças de planejamento e decisões de curto prazo que acabaram afetando diretamente o futebol. Na sua visão, o que precisa mudar na estrutura administrativa do clube para que isso não se repita? O senhor pretende fazer mudanças no estatuto, profissionalizar ainda mais os departamentos, estabelecer mecanismos de transparência e cobrança de metas ou acredita que o principal problema está na escolha das pessoas que comandam o clube?

Maurício Maruca: O Santos precisa voltar a planejar, mas planejamento sem capacidade de execução também não resolve. Por isso, nossa proposta combina profissionalização, transparência, dados e responsabilidade financeira.

A Outfield estará ao nosso lado não apenas no aporte financeiro inicial, mas também na construção de uma gestão mais profissional, com foco em geração de receitas, organização comercial e uso de dados. Queremos profissionalizar a área comercial, reorganizar o inventário de ativos, melhorar a gestão de patrocínios, fortalecer o Sócio-Torcedor, ampliar licenciamento e explorar melhor as receitas digitais e de matchday.

Também vamos trabalhar com orçamento vinculante, alçadas claras de aprovação, indicadores de desempenho e metas para os diferentes departamentos. As decisões precisam ser baseadas em dados e em um planejamento de longo prazo.

No fim, pessoas fazem a diferença, mas uma instituição do tamanho do Santos não pode depender apenas de quem está ocupando um cargo. Precisamos construir uma estrutura profissional que funcione com método, transparência e cobrança de resultados.

Bolavip Brasil: O Santos possui uma parcela enorme de sua torcida na cidade de São Paulo e na região metropolitana, o que faz dos jogos na capital uma possível ferramenta de geração de receita e aproximação com esses torcedores. O senhor seria favorável a estabelecer um calendário previamente planejado de partidas em São Paulo ou entende que o mando deve permanecer prioritariamente na Vila Belmiro? Como faria para explorar esse mercado sem enfraquecer a relação histórica do clube com a Baixada Santista?

Maurício Maruca: São Paulo é um mercado enorme e o Santos precisa aproveitar melhor sua presença na capital e na região metropolitana. Isso não significa, de forma alguma, abrir mão da relação histórica com a Baixada Santista.

A decisão sobre onde jogar precisa ser estratégica, considerando aspectos esportivos, financeiros e de relacionamento com o torcedor. Um calendário planejado de partidas em São Paulo pode fazer sentido quando houver uma oportunidade concreta de geração de receita e aproximação com essa parcela da torcida.

Ao mesmo tempo, a Vila Belmiro continuará tendo um papel central na identidade e na experiência do Santos. Precisamos ampliar nossas receitas e nossa presença, sem transformar isso em uma disputa entre São Paulo e Santos. O objetivo é fazer o clube estar mais próximo de todos os seus torcedores.

FONTE: https://br.bolavip.com/santos/exclusivo-mauricio-maruca-revela-planos-para-saf-e-projeta-jogos-do-santos-em-sao-paulo


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