Khellven pode abrir o caminho que o Palmeiras precisa para desmontar o Corinthians

  • 10/10/2026
A decisão entre Khellven e Giay vai além de uma disputa individual pela titularidade

O Palmeiras chega ao Derby deste domingo (11), no Nubank Parque, com a possibilidade de assumir a liderança do Campeonato Brasileiro e a confiança renovada pela vitória sobre o Bahia. Mas, para o clássico, é necessário encontrar soluções para enfrentar um Corinthians pressionado pela campanha e disposto a reorganizar sua estrutura defensiva. Nesse cenário, Khellven pode representar uma alternativa importante para Abel Ferreira, pelas características que oferece ao funcionamento ofensivo da equipe.

A atuação do lateral contra o Bahia fornece o ponto de partida para essa análise. Enquanto Agustín Giay foi preservado após a Data Fifa, Khellven disputou os 90 minutos e apareceu como opção de apoio pelo corredor direito, com ultrapassagens que ampliaram as possibilidades de avanço do Palestra. A escolha anterior, porém, precisa ser interpretada com cautela: preservar um jogador depois de compromissos internacionais não significa necessariamente alterar a hierarquia da posição. O que muda para o Derby é a possibilidade de Abel recorrer a uma característica específica diante de um adversário com necessidades e comportamentos diferentes.

O contexto do Corinthians torna essa alternativa especialmente interessante. Sob o comando interino de William Batista, a equipe trabalhou a organização defensiva e a intenção de atuar mais compacta, depois de sofrer com os espaços concedidos nas partidas anteriores. O rival chega ao clássico após uma sequência de sete jogos sem vencer no Brasileirão e precisa responder tanto à pressão esportiva quanto à proximidade da zona de rebaixamento. A tendência de proteger melhor os próprios espaços pode tornar o confronto mais exigente para um Verdão que precisa transformar a superioridade territorial em oportunidades concretas.

Neste contexto apresentado, Khellven ganha relevância tática. Contra uma defesa que procura fechar o centro e reduzir as distâncias entre os setores, manter um jogador aberto e ameaçar a profundidade pelo lado pode obrigar o adversário a deslocar sua linha defensiva. Se o lateral corintiano acompanhar a corrida, abre-se a possibilidade de liberar espaço para o ponta receber por dentro. Se um volante precisar oferecer cobertura, outro setor pode ficar menos protegido. O movimento não garante uma chance de gol, mas cria um dilema para a marcação: permanecer compacta e conceder espaço no corredor ou se deslocar e correr o risco de abrir uma brecha em outra região.

Decifrando um esquema para Khellven

Essa dinâmica também ajuda a compreender por que a amplitude ofensiva não depende exclusivamente dos pontas. Quando o jogador de lado recebe aberto e o lateral passa por fora, o Palmeiras pode construir uma situação de superioridade numérica ou obrigar dois defensores a dividir a responsabilidade sobre o mesmo corredor. O ponta pode atrair a marcação para dentro, enquanto Khellven ataca o espaço externo; simultaneamente, um meio-campista pode aproximar-se para oferecer uma linha de passe ou receber na entrada da área. A efetividade dessa combinação depende da sincronia dos movimentos, porque uma ultrapassagem realizada sem apoio pode terminar em um cruzamento previsível ou na perda da posse.

Há uma diferença importante entre avançar pelo lado e realmente desmontar uma defesa compacta. O Verdaço precisará variar o destino das jogadas para não transformar Khellven em um recurso repetitivo, facilmente neutralizado pelo Corinthians. A ultrapassagem pode servir para alcançar a linha de fundo, mas também para atrair um marcador e devolver a bola a um companheiro que chega de frente. Se o rival fechar o corredor externo, a equipe poderá explorar o espaço intermediário; se proteger a região central com mais jogadores, a circulação rápida para o lado poderá ser o caminho para desorganizar a estrutura.

(Foto: Reprodução)
Khellven em ação durante treino ma véspera do Derby –

O problema é que a mesma agressividade que amplia as opções ofensivas pode produzir um risco defensivo. Quando Khellven avança, o Alviverde precisa preservar jogadores em posições capazes de reagir à perda da bola. Um passe interceptado ou um cruzamento bloqueado pode oferecer ao arquirrival a oportunidade de atacar o espaço deixado pelo lateral, especialmente se a equipe encontrar Memphis Depay ou Yuri Alberto em condições de acelerar a transição. Por isso, a subida precisa estar acompanhada de uma cobertura coordenada: o volante deve avaliar quando proteger o corredor, e o zagueiro pelo lado direito precisa estar preparado para defender o espaço sem abandonar a organização da última linha.

Dois laterais, duas cartadas palestrinas

Essa preocupação torna a escolha entre Khellven e Giay uma discussão de características, não uma disputa simples para determinar quem é o melhor lateral. Khellven pode oferecer uma alternativa de amplitude e ultrapassagem. Giay, por sua vez, precisa ser avaliado pelo conjunto de suas contribuições e pela maneira como se encaixa na estrutura escolhida por Abel.

A preservação após a Data Fifa também faz parte da explicação para a utilização de Khellven contra o Bahia. Não há motivo para transformar uma oportunidade circunstancial em uma mudança permanente de hierarquia, mas há razão para investigar se o desempenho recente abriu uma possibilidade útil para um jogo de características específicas.

A escolha de Abel

Abel, portanto, tem uma decisão que vai além de escolher um nome para a lateral direita. O treinador precisa identificar qual combinação oferece melhores condições para movimentar a defesa corintiana sem comprometer o equilíbrio da equipe. O ponto central é a estrutura que o Palmeiras consegue construir ao redor do lateral, e não a expectativa de que um jogador, isoladamente, resolva o problema ofensivo.

O Dérbi pode, assim, transformar a atuação de Khellven contra o Bahia em uma referência para uma discussão mais ampla sobre o repertório do Maior Campeão do Brasil na reta decisiva do Brasileirão. Diante de um Corinthians que trabalha para fechar espaços, atacar o corredor direito com movimentos coordenados pode ser uma forma de deslocar a marcação, criar superioridade e encontrar caminhos até a área. Mas a alternativa só terá valor completo se o time também estiver preparado para proteger o espaço deixado para trás. Mais do que definir quem começa jogando, Abel precisa decidir como o Palmeiras vai usar a lateral direita para atacar sem oferecer ao rival justamente o espaço de que ele precisa para reagir.

FONTE: https://br.bolavip.com/palmeiras/khellven-pode-abrir-o-caminho-que-o-palmeiras-precisa-para-desmontar-o-corinthians


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