Opinião: Vitor Roque expõe no Palmeiras a distância entre potencial e realidade

  • 03/09/2026
Falta de gols não explica sozinha o momento vivido pelo centroavante palmeirense. É a dificuldade para transformar presença em ações decisivas que aumenta a preocupação

Há uma diferença importante entre não jogar bem uma partida e atravessar um período em que cada nova oportunidade passa a ser encarada como um teste. Vitor Roque parece estar exatamente nesse segundo cenário no Palmeiras. Nesta quarta-feira, diante do Santos, o atacante começou no banco, entrou no segundo tempo e novamente não conseguiu entregar a resposta que o momento exige. O Palestra empatou por 0 a 0 na Vila Belmiro, confirmou a classificação para a semifinal da Copa do Brasil, mas, individualmente, Roque saiu do clássico deixando uma pergunta que já não é nova.

O contexto precisa ser considerado. O Palmeiras não precisava se lançar desesperadamente ao ataque depois de construir uma vantagem de 3 a 0 no primeiro confronto. A estratégia de Abel Ferreira passou muito mais pelo controle do confronto do que pela obrigação de buscar uma nova goleada. O Santos teve mais posse de bola, enquanto o Palmeiras encontrou espaços principalmente quando conseguiu acelerar suas transições. Por isso, não seria justo analisar a atuação de Roque como se ele tivesse recebido uma sequência interminável de oportunidades.

Ainda assim, o atacante teve uma chance clara para deixar sua marca. E esse detalhe pesa porque não aparece isoladamente. As oportunidades claras desperdiçadas pelo Palmeiras pararam nas finalizações de Maurício e Vitor Roque. Em um jogo no qual a equipe criou pouco em termos absolutos, qualquer oportunidade diante do gol ganha um peso ainda maior. Roque não conseguiu aproveitá-la e terminou sua participação sem produzir a mudança ofensiva que se esperava de um jogador que entrou justamente para oferecer mais profundidade e presença no ataque.

O problema, portanto, não está apenas nos números de uma noite. Está na sequência. Vitor Roque chegou ao Palmeiras depois de um 2025 muito produtivo e já mostrou que pode ser decisivo com a camisa alviverde. A questão é que aquele desempenho não se transformou em uma sequência consistente durante 2026. Dados recentes do FotMob apontam quatro gols na temporada, sendo dois em cobranças de pênalti, além de 22 finalizações e 11 chutes no alvo.

O que Roque precisa reencontrar e o peso da sombra de Flaco

Essa fotografia estatística ajuda a entender o momento. O problema não é simplesmente marcar pouco. Um centroavante pode passar algumas partidas sem balançar as redes e continuar sendo extremamente útil. O ponto é que Roque ainda precisa recuperar outras formas de influência: atacar profundidade, ganhar duelos, participar da construção, pressionar a saída adversária e, principalmente, transformar as oportunidades que aparecem em ações que alterem o jogo. Contra o Santos, ele não conseguiu fazer isso e demonstrou afobação e decisões erradas.

(Foto: Reprodução)

Existe ainda um componente que aumenta a pressão: Flaco López. O argentino não apenas vive um grande momento como também marcou duas vezes na vitória por 3 a 0 no jogo de ida contra o Santos. Mais do que isso, Flaco já vinha sendo um dos jogadores ofensivos mais produtivos na temporada. Dessa forma, Abel não está escolhendo entre dois atacantes que chegam ao jogo em condições semelhantes. Existe hoje uma diferença de momento que inevitavelmente influencia a hierarquia.

Isso torna a entrada de Roque ainda mais simbólica. Quando um jogador perde a condição de titular, normalmente passa a depender dos minutos que recebe para reconstruir seu espaço. É uma espécie de segunda avaliação. O treinador observa não apenas se ele consegue marcar, mas como reage à oportunidade. E, contra o Santos, Roque não conseguiu produzir uma atuação capaz de mudar a percepção de que Flaco atualmente oferece mais segurança ofensiva. Abel, inclusive, já havia feito críticas públicas ao atacante e buscava justamente provocar uma reação.

Muita calma nessa hora com o camisa 9

Mas existe um cuidado que o Palmeiras precisa ter nessa discussão. Vitor Roque tem apenas 21 anos e já demonstrou capacidade de decidir partidas importantes. O próprio histórico recente mostra isso. Não faria sentido transformar uma fase ruim em sentença definitiva.

A questão é outra: talento precisa encontrar momento. E, neste instante, Roque parece estar procurando justamente essa conexão. Abel Ferreira não precisa necessariamente desistir do atacante, mas também não pode ignorar aquilo que o campo está mostrando. Para mudar essa equação, Roque precisa fazer com que suas entradas sejam mais do que minutos de recuperação: precisam ser respostas competitivas.

Uma questão para Abel

O empate na Vila pode representar mais para Vitor Roque do que apenas uma atuação abaixo da expectativa. O Palmeiras saiu classificado, com a defesa preservada e a missão cumprida. O atacante, porém, sai do clássico ainda carregando a mesma dúvida que existia antes dele entrar: quando terá novamente uma oportunidade, será capaz de aproveitá-la? Essa resposta não precisa necessariamente vir com um gol no próximo jogo. Mas precisa começar a aparecer no futebol. Porque, na reta decisiva da temporada, Abel pode até oferecer tempo a Vitor Roque, o que não poderá oferecer indefinidamente é protagonismo sem resposta.

FONTE: https://br.bolavip.com/palmeiras/opiniao-vitor-roque-expoe-no-palmeiras-a-distancia-entre-potencial-e-realidade


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